segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Rei Ogier





Meio dia quando a equipe da Tv Assembelia saiu em direção ao Castelo do Ogier. Não imaginávamos que nos esperava era uma história bem interessante.

Seguindo pela Br 343, no sentido Teresina – Altos, próximo à primeira linha de trem, uma placa de sinalização ‘Circuito dos Mistérios’, indica o caminho para o conhecido Castelo do Ogê. È só dobrar a esquerda, numa estrada sem pavimentação. Mais à frente outra placa, mas atenção, pois como a estrada se bifurca é preciso saber qual direção seguir, como estávamos sendo orientados seguimos pelo lado certo, entrando a direita. Pronto a adrenalina estava apenas começando.



A estrada que dá acesso ao castelo é estreita e alguns trechos são críticos, pois tem muitas subidas e descidas, um verdadeiro rally de emoções. Quanto mais entravamos na mata, mas pensávamos o que nos aguardava a frente. A paisagem é espetacular. De uma calmaria inexplicável. Aquém da civilização.



Logo que chegamos fomos recepcionados e para matar um pouco o tempo antes do almoço, seu Ogier nos deu alguns álbuns de fotos para que conhecêssemos seu passado, época de quando morava no Rio e em São Paulo e rico, é ele tinha uma empresa chamada Valete Azul, onde vendia baralhos e pasmem, o lucro mensal era 90 mil reais. 


Pulando a parte do almoço fomos em seguida para o castelo. No caminho perguntei a origem do nome Ogier. Ele explicou que quando o pai ainda moço, havia lido a história dos doze pares de França, e gostou do nome e falara que quando tivesse um filho colocaria Ogier. 


"Como o primeiro filho de meu pai foi uma mulher ele logo deu o nome de Osmarina, quando nasci depois veio Ogier, que de trás pra frente pode ser usado Rei G O, assim faço uso", disse.


Na minha ignorância momentânea pesquisei o que ele falou sobre os doze pares de França. Formada por doze cavaleiros leais ao Rei Carlos Magno liderado por Rolando, sobrinho do rei, era sua tropa de elite pessoal. A expressão "doze pares" se dá pelo fato dos doze cavaleiros terem extrema semelhança entre si, no que diz respeito à força, habilidade com armas e lealdade ao rei, e daí o termo "par".





Explicado o nome, fomos em direção ao castelo. Logo à frente avistamos o portal, em estilo clássico romano, tem 7 metros de altura por 21 de largura. Dois leões babilônicos, com cara de gente, barba e bigode, asas e cinco pernas. Seu Ogier comenta que no meio ficava a estátua da deusa romana Diana, mas devido à ventania tombou lá de cima.




Calma, estávamos apenas no começo. Seguimos e avistamos um morro, com cerca de 50 metros de altura, com duas esfinges indicando que ali é o castelo. Arrisquei e passei entre os trocos pela passarela, pois não é cimentada. Subimos a pé até a escadaria, onde pode ser visto um leão inglês de 2 metros.



Finalmente dentro do castelo seu Ogier sentado na maquete de barro da obra começa a explicar como tudo começou, os planos para continuar a construção, como o castelo deve ficar e seu maior sonho que é ver ele erguido e servindo de ponto turístico.



Francisco Ogier da Silva, cearense de 68 anos, que há 32 anos quer transformar seu maior sonho em realidade. E escolheu o Piauí para realizar sua obra. Homem de origem simples que com muito esforço e trabalho conseguiu se destacar ganhou muito dinheiro, mas só daria por satisfeito quando construísse o castelo. Finaliza: ‘sou pequeno e feio, mas meu espírito sempre foi nobre’.








O que me admirou foi o desapego ao material. Quando todos lutam para possuírem bens, seu Ogier conseguiu ter muito dinheiro, abriu mão de todo patrimônio que construiu, e sem prejudicar ninguém, foi em busca de São Paulo para concretizar o sonho de adolescência. Muitos podem julgá-lo e falar que ele é louco, mas só ele tem o livre arbítrio de escolher o que quer e o fez mesmo com as adversidades da vida e família. Só temos que respeitar e admirar o que ele até então construiu. E lógico perguntei se ele é feliz; sem titubear disse que "Sim, eu sou muito feliz, não tenho nada pra reclamar". Não cansa de explicar sobre o que ainda vai fazer e fala que morreria feliz se visse o castelo terminado.





Sobre o Castelo (estilo Medieval)

O projeto idealizado por seu o Ogier apresenta 6 torres, sendo no 3° e último andar da torre mãe de 40 metros a suíte presidencial, uma capela, uma praça, muralhas de 7 metros, salão nobre, salão de inverno, adega, salão de jogos e uma decoração ao estilo francês de Luis XIV, o rei sol. Além disso, ele conta que quer uma enorme estátua de 6 metros que representa o Colosso de Rodes, uma das 7 maravilhas do mundo, para que todos, ao entrar no castelo, passem obrigatoriamente entre as pernas da estátua, reproduzindo o ritual de proteção da cidade de Rodes, como na antiguidade.


Tanto pra escrever mas tive que ser breve, pois ficou bem melhor em vídeo. Vai ao ar na íntegra no Programa Felicidade, todas as quintas às 20h, na Tv Assembleia, ainda sem data de exibição. Queria agradecer ao Kernard pela pauta e pelo exemplo de vida do seu Ogier. 

Fonte: Kernard Kaverna // Castelo do Ogier // Wikipedia


Fotos: Joyce Vieira

1 Ajude:

Kenard Kruel disse...

joyce, só você mesmo, com tamanha sensibilidade, para escrever tão bem assim do seu ogier e do seu sonho do castelo encantado entre teresina altos. obrigado, amiga. que mais pautas assim sejam nos dadas. com fé esperança e amor, beijos kenardianos.